Popular/vulgar vs. culto

Há muitas palavras que são pronunciadas/escritas diferentemente dependendo do tipo de linguagem que você está usando (informal ou culto).

Mostramos a seguir algumas consideradas erradas de acordo com a norma culta. Por isso, evite usá-las em textos ou ambientes formais.

ERRADO                          CERTO

a como é                          quanto é

adevogado                      advogado (sem pronunciar “e” após o “d”)

(o) alface                          a alface

amostrar                          mostrar

barruada                          abalroamento

bença ou benção             bênção

cabeçário                         cabeçalho

cabeleleiro                       cabeleireiro

(o) cal                                a cal

cebolinho                         cebolinha

cidadões                           cidadãos

(o) couve                          a couve

cunzinha                           cozinha

cunzinhar                         cozinhar

defamar                             difamar

degladiar-se                     digladiar-se

delatar (aumentar)            dilatar  (a palavra DELATAR significa denunciar, dedurar)

drobar                                 dobrar

duvida!                                duvido!

enterter                               entreter

esmoléu                               esmoler

esteje                                     esteja

estrupar                                estuprar

(lâmpada) florecente          fluorescente

fluído                                      fluido (a tônica recai no U)

fosco                                       fósforo

(a) friza                                   o frízer

gai                                             gás

gratuíto                                  gratuito (com força no U)

(a) guaraná                            o guaraná

indentidade                           identidade

indiota                                     idiota

inguinorante                         ignorante (sem pronunciar I após o G)

largata                                     lagarta

largatixa ou lagatixa               lagartixa

Lucifer                                     Lúcifer (com força no U)

mainha                                     mãinha  (compare com RAINHA e TAINHA)

manguzá                                  munguzá

menas                                       menos (mesmo no feminino)

mendingo                                mendigo

mortandela                             mortadela

neuvo                                        nervo

neuvoso                                   nervoso

(prêmio) Nóbel                      Nobel (com força no E)

onteontem                              anteontem

preguntar                                perguntar

pobrema ou poblema             problema

pomonha                                 pamonha

pranta                                       planta

previlégio                                privilégio

(o) reis                                      o rei / os reis

(o) rins                                      o rim / os rins

rúbrica                                      rubrica (força no I)

salchicha                                  salsicha

sastifeito                                   satisfeito

seje                                              seja

siclano                                       sicrano

sombrancelha                           sobrancelha

tauba                                         tábua

teem (do verbo ter)                   têm

(a) tomate                                    o tomate

trocer ou trucer                          torcer

usa-lo, compra-lo etc.                 usá-lo, comprá-lo

veem (do verbo vir)                     vêm

vrido                                             vidro

xero                                               cheiro

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Despercebido/desapercebido

Despercebido significa “que não é notado”: “Os protestos dos posseiros contra os latifundiários passaram despercebidos pela imprensa”. Usa-se normalmente na expressão “passar despercebido”.

Desapercebido significa “desprevenido” ou “desprovido”, como na frase: “Fui pego desapercebido pela chocante notícia”. Como “desapercebido” já está caindo em desuso, prefira-se usar o termo “desprevenido”.

Dicas para bem redigir

Algumas dicas para tornar sua redação mais enxuta e elegante:

1- Evite usar “o mesmo”, “a mesma”; é uma expressão no mínimo desnecessária: “Só entre no elevador se o mesmo estiver parado no andar”.  Certo: “Só entre no elevador se (ele) estiver parado no andar”.

2- Respeite as regras de uso do artigo: “Fui para cama” e “Todos artigos desta lista estão à  venda em todo país” são erros grosseiros. Certo: “Fui para a cama” e “Todos os artigos estão à venda em todo o país”.

3- Regra básica para uso da vírgula: não se usa vírgula entre sujeito e verbo ou entre verbo e objeto, exceto quando houver um adjunto adverbial intercalado, composto de várias palavras.

Exemplos: “O pai do aluno que sofreu assédio, processou o diretor da escola”. “Os policiais agrediram na porta da loja, o menino de rua”. Certo: retire-se a vírgula em ambos os casos. No entanto, é certo: “Os policiais agrediram, sem o mínimo resquício de humanidade, o menino de rua”. (Adjunto adverbial longo entre vírgulas.)

4- Após conjunção subordinativa não use vírgula, a não ser que haja um adjunto adverbial longo intercalado: “Ele disse que, Roberto e seus amigos eram inocentes”. Certo: sem a vírgula. No entanto, é certo: “Ele disse que, sem sombra de dúvida, Roberto e seus amigos eram inocentes.”

5- Evite usar “mas” ou “e” no início do período: “Comi demais. E arrotei muito.” Certo: “Comi demais e arrotei muito.” “Todos erram. Mas, errar é humano.” Certo: “Todos erram, mas errar é humano.”

6- PORÉM não deve ser usado no início, mas no meio, entre vírgulas: “Errar é humano. Porém, todos erram.” Certo: “Errar é humano. Todos, porém, erram.”

7- Evite usar um monte de vírgulas desnecessariamente; quanto menos vírgulas, melhor.

Exemplo (comum em textos acadêmicos): Assim, hoje, encontram-se, na área administrativa, funcionários relapsos e, frequentemente, incompetentes. Neste caso, somente a vírgula após “assim” é absolutamente necessária.

8- O verbo HAVER, no sentido de “existir”, é impessoal e não vai para o plural no imperfeito ou no futuro, erros bastante comuns. Exemplos: “Haviam três pessoas na sala”. Certo: “Havia três pessoas”. “Haverão/vão haver outras oportunidades”. Certo: “Haverá/vai haver“.

9- Evite erros de concordância verbal, especialmente quando o verbo vem antes do sujeito: “Começou as aulas na semana passada”. Certo: “Começaram as aulas”.

10- Evite erros de concordância nominal: “Roupas masculina, feminina e infantil”. Certo: “Roupas masculinas, femininas e infantis”. (Há mais de uma roupa de cada tipo à venda.)

Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

600 pessoas chegaram ao topo do Monte Everest em 2012. Este blog tem cerca de 2.200 visualizações em 2012. Se cada pessoa que chegou ao topo do Monte Everest visitasse este blog, levaria 4 anos para ter este tanto de visitação.

Clique aqui para ver o relatório completo

Ih! O Diário de Pernambuco também!!!

Pérolas do dia 26/10/2012:

“Poderia ser mais uma casa de culinária japonesa, que preza pelos insumos o mais frescos possíveis.” Certo: os mais frescos possíveis.

“… peixes encontrados no litoral pernambucano como siobas, camurim, agulha branca e saramunete, para compor os já consagrados preparos nipônicos e outros com teor mais exóticos como os peruanos ceviches e tiraditos.” Certo: cioba; teores mais exóticos. Apesar de largamente utilizada no Nordeste, a forma “saramunete” é corrutela (forma errada) de SALMONETE.

“… a sobremesa de cartola com queijo de manteiga e banana servido em formato de tempurá.” SERVIDO se refere a SOBREMESA, então o correto seria SERVIDA.

“… entre outras bebidas menos nativas da Terra do Sol Nascente.” Ou é nativo ou não; não existe mais nativo ou menos nativo.

“Estudantes se degladiam entre as panelas do Arena de Chefs.” Correto: DIGLADIAM (com I).

“… a província canadense têm investido em seu programa de imigração…” PROVÍNCIA é singular, TÊM é plural. Certo: TEM investido.

Yahoo precisa urgentemente de revisor

Leio sempre as notícias do site Yahoo Brasil e fico pasmo ao me deparar com os frequentes assassinatos da língua portuguesa que diariamente abrilhantam o site. Vejamos apenas alguns exemplos lá coletados no dia 26 de outubro de 2012:

“Krim é vice-presidente sênior e gerente geral da CNBC Digital. Ele se mudou para a CNBC em março vindo da Bloomberg LLP, onde foi chefe global da Bloomberg Digital. Formado pela Universidade de Harvard, Krim também era ex-executivo do Yahoo. ERA? Como poderia eu dizer: “Eu era ex-marido de fulana?” EX é para sempre, eu não posso deixar de ser ex. De quebra, na manchete, lê-se: “Crianças foram encontradas na banheira do apartamento de luxo que moravam em Nova York”.  O certo seria: “apartamento EM QUE moravam, NO QUAL moravam, ou ONDE moravam”.

“O senhor Assange está bem. Tem 41 anos e parece que teve uma vida saudável antes de entrar na embaixada. Temos um médico que lhe visita regularmente”. O certo seria: “que o visita” (objeto direto).

“Procuro manter-me à margem, quero respeitar a intimidade tanto de Assange como de seus convidados. Mas, às vezes, como aconteceu ontem com o ator John Cusack, me junto a eles e tomamos um café”, reconheceu.  Duas orações, ambas começadas por conjunção, sem oração principal ou coordenada inicial? Não existe!

“Em 2010 ela se candidatou à deputada estadual”. No masculino é “a deputado estadual”, portanto não existe preposição + artigo. Certo: ela se candidatou a deputada estadual. Mesmo caso: “… com declarações na Assembleia Legislativa do Rio que associavam homossexualidade à pedofilia.” Passe para o masculino: “associavam homossexual a pedófilo”. Não existe preposição + artigo.

No dia seguinte (27/10/2012), encontrei mais isto:

“… o time permanece oito pontos do São Paulo, o último do G4.” Estaria certo se eu estivesse falando de tempo passado, como em “cheguei aqui há oito dias”. O certo é: “a oito pontos”.

E esta, para morrer de rir: “foi ao estádio à convite da diretoria e, de acordo com Tite, gostou do que viu.” Convite é masculino e À só se usa antes de palavra feminina (nem todas!).

Uso errôneo de “onde”

Há algum tempo vejo na imprensa e ouço com frequência cada vez maior o uso indiscriminado de ONDE, mesmo em situações nas quais não se trata de referência a lugar.

(correto) Visitei o lugar onde nasci.

(correto) Os técnicos deveriam ser inseridos onde os políticos falham para resolver melhor nossos problemas.

(errado) O chefe sempre humilha os funcionários, onde com certeza está totalmente equivocado.

(errado) Está sempre errando, onde deveria tentar acertar.

(errado) Ganhei na loteria, onde agora posso comprar o que quiser.

(errado) É raro encontrar povos onde o incesto não seja condenado.

(errado) O costume de arrotar para mostrar que se está satisfeito é considerado de bom tom entre os árabes, onde não fazê-lo é prova de má educação.

Analisando estes casos, vemos que ONDE se transformou numa palavra tapa-buracos, até mesmo um elemento (desnecessário) de ligação entre sentenças que melhor estariam se fossem independentes.

Mais simples e conveniente seria dizer:

O chefe sempre humilha os funcionários. Com certeza está totalmente equivocado. (ou) O chefe sempre humilha os funcionários, mas com certeza está totalmente equivocado.

Está sempre errando. No entanto, deveria tentar acertar. (ou) Está sempre errando, mas deveria tentar acertar.

Ganhei na loteria, e agora posso comprar o que quiser.

É raro encontrar povos entre os quais o incesto não seja condenado.

O costume de arrotar para mostrar que se está satisfeito é considerado de bom tom entre os árabes, para os quais não fazê-lo é prova de má educação.

VERBOS ABUNDANTES (particípios irregulares)

Verbo abundante é aquele que possui duas ou três formas para a mesma flexão. Isso normalmente ocorre só no particípio.

A forma regular do particípio sempre termina em -ADO ou -IDO, mas  há vários verbos com formas irregulares.

Verbo                    Forma regular            Formas irregulares

Aceitar                  aceitado                       aceito (Bras.) ou aceite (Port.)

Empregar             empregado                   empregue (Portugal)

Entregar               entregado                     entregue

Expulsar              expulsado                      expulso

Ganhar                 ganhado                        ganho

Gastar                  gastado                          gasto

Matar                    matado                           morto

Pagar                    pagado                           pago

Salvar                   salvado                          salvo

Regra: usa-se o particípio regular com os auxiliares TER e HAVER, e os irregulares com SER e ESTAR. Assim, temos: Tinha ganhado, foi ganho; havia matado, está morto.

E aquelas formas populares consideradas de mau gosto pelos puristas, como MANDO e PEGO?

Bem, vale salientar que língua é coisa viva, em constante movimento e mudança, e é o povo que a constrói e modifica a seu bel-prazer. PEGO já é de uso bastante comum e tolerado ou aceito por muitos. Apenas sugerimos que seja seguida a regra acima: tinha pegado; foi pego.

Qual é a diferença?

– Rapto, sequestro e abdução

Rapto é reter através de violência, intimidação ou fraude uma mulher, com fins libidinosos. O crime de rapto, disposto no art. 219 do Código Penal, foi revogado pela Lei 11.106, de 2005. Já é aceito o uso do termo sequestro com fins libidinosos para substituir rapto. Sequestro é tirar a liberdade de alguém, mantendo-o em cárcere privado. Vale salientar que extorsão mediante sequestro é sequestrar pessoa com o fim de obter qualquer vantagem como resgate. Abdução é termo muito usado especialmente entre ufologistas e escritores de ficção científica com o sentido de “ser levado por ETs para dentro de uma nave espacial e desaparecer permanentemente ou por algum tempo”.

– Roubo, furto, latrocínio e assalto

Furto é subtrair coisa alheia, e difere do roubo por ser praticado sem emprego de armas, violência ou ameaças. Assalto é o ataque súbito com o objetivo de roubar. Latrocínio é o roubo em que a violência empregada causa a morte da vítima.

– Matar, assassinar, trucidar, exterminar, aniquilar, chacinar, dizimar, executar, eletrocutar

Matar é tirar a vida de pessoa ou animal, em sentido geral. Assassinar é matar pessoa com premeditação ou à traição.

Trucidar é matar barbaramente ou com crueldade. Exterminar ou aniquilar é matar todo um grupo de animais ou pessoas (exterminar/aniquilar cupins, pragas, os inimigos). Chacinar refere-se especificamente ao assassinato violento em massa.

Dizimar antigamente significava “punir com a pena de morte um soldado em cada grupo de dez”. Hoje tem o sentido de “matar em grande número”: A epidemia de cólera dizimou a população da cidade.

Executar é aplicar a pena de morte a alguém. Eletrocutar é matar por choque elétrico.

Vale comentar que morticínio é a morte de muitas pessoas numa mesma ocasião ou lugar, vitimadas pela mesma causa (violenta ou não).  Genocídio é o assassinato deliberado de muitas pessoas por causa de diferenças étnicas, nacionais, raciais e/ou religiosas. Eutanásia é  a abreviação da vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida.

– Seviciar, violentar, torturar

Seviciar é tratar com crueldade pessoa que lhe está submetida ou vinculada. Violentar é exercer violência contra alguém ou, mais especificamente, estuprar. Torturar é infligir dor física ou psicológica com fins de intimidação ou punição; para obter confissão ou informação; para obter prazer sádico.

– Falência e concordata

Falência é a quebra de uma empresa por inadimplência generalizada e permanente. Concordata é o recurso jurídico que possibilita a continuação do funcionamento de empresa incapaz de pagar suas dívidas nos prazos contratuais, facilitando o pagamento aos credores e prorrogando prazos.

– Cúmplice, comparsaassecla, sequaz, cupincha, fantoche, capacho

Cúmplice ou comparsa é quem participa de um crime junto com outro, ajudando ou favorecendo sua prática. Assecla ou sequaz é quem segue ou acompanha alguém, como um partidário ou guarda-costas, amiúde com significado pejorativo.

Cupincha é afilhado ou pessoa protegida de mafioso ou político influente.

Fantoche é a pessoa que não age por sua própria conta, procedendo sempre de acordo com a orientação ou as ordens de outra. Capacho é a pessoa servil ou utilizada para a ascensão de outros.

– Famoso, famigerado, notório

Famoso é aquele ou aquilo que tem boa fama. Famigerado é aquele que tem má fama/reputação. Notório que dizer “conhecido por grande número de pessoas, público”.

– Prejudicial, nocivo, pernicioso, deletério, maligno

Prejudicial é aquilo que causa dano ou prejuízo. Nocivo é sinônimo, mas refere-se especialmente a animal perigoso ou que causa danos (ex.: cobra, cupim) ou produto que causa dano à saúde. Pernicioso é aquilo que causa risco moral (influência perniciosa) ou é grave mas pouco perceptível (doença). Deletério significa “que corrompe, danifica ou destrói”. Maligno significa “propenso à maldade, iníquo” (ex.: espírito maligno) ou “grave e recorrente” (ex.: tumor maligno).

Para eu/para mim

Quando a expressão for seguida de verbo no infinitivo, usa-se para eu. Se não, usa-se para mim.

Principalmente no Sudeste do Brasil, este erro é comum: Empresta esse livro pra mim ler.

O correto é Empresta esse livro pra eu ler. Também está correto: Empresta esse livro pra mim (sem infinitivo).